A ditadura implantada no país pelo golpe de Estado desferido em 1964, em dezembro de 1968 deu um giro no parafuso por meio de um Ato Institucional, de número 5, que lhe atribuía poderes praticamente ilimitados.
( Mino Carta em, "O Castelo De Âmbar", página 161 RECORD)
sábado, 31 de janeiro de 2009
Recebi esse mimo do blog Esterança , achei muito bonitinho!!
Abaixo segue as regras:
1- Exiba a imagem do selo “Olha Que Blog Maneiro”.
2- Poste o link do blog que te indicou.
3- Indique 10 blogs de sua preferência.
4- Avise seus indicados.
5- Publique as regras.
6- Confira se os blogs indicados repassaram o selo e as regras.
7- Envie sua foto ou de um(a) amigo(a) para olhaquemaneiro@gmail.com
juntamente com os 10 links dos blogs indicados para verificação. Caso os blogs tenham repassado o selo e as regras corretamente, dentro de alguns dias você receberá 1 caricatura em P&B.
8- Só vale se todas as regras acima forem seguidas.
Árvore, Pé de Fruta, Pé de Pau, Pé de Flor (Mulher).
Inegável como a chuva que desaba do céu no verão, é a beleza da árvore que dá seu fruto, e sua flor, ou ainda não dá nada, mas se mostra a todos.
Inegável é a beleza da menina que sobe na árvore para comer a doce fruta, e é surpreendida pela chuva, sorri com toda a sua alma, seu corpo, seu ser.
Na árvore trepada sob a refrescante chuva, molhada e alimentada, uma planta de uma mulher, a planta de seu pé no galho da árvore, pé de fruta e pé de mulher.
A flor da planta desaparece, aparece regada pela chuva a flor da mulher, molhada em plena tarde de verão, sorridente e fazendo alarde, flor que pelos olhos chega na alma deste cidadão.
Se tiver fruta, ou flor, é pé de uma ou outra, se nada tem é pé de pau, mas a melhor fruta que qualquer árvore pode ter em seus galhos, traz em si a flor mais desejada pelo homem, uma morena flor de mulher.
Quantas árvores, quantos pés, frutas e flores de pernas para o ar, o homem cai por terra aos pés da mulher, ela sorri e desce da árvore comendo a fruta que pegou com suas mãos. Anda sorridente e se vai de pés descalços sobre o chão, deixa na terra o caroço da fruta e o pobre homem, ficam no ar sua beleza e o perfume da flor molhada.
Fica a lembrança da flor e da fruta, ficam as pegadas no barro, o delicado desenho dos pés da mulher, aquela que pelos olhos tocou a alma de mais um homem que clama:
-Volta chuva, traz de volta a flor daquela planta, a moça que brotou naquele pé! Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons.
Árvores são acima de tudo as principais transgressoras da pretensa moral, e dos igualmente pretensos bons costumes, pois exibem a boa altura tudo aquilo que se tenta esconder sob estes dois mal fadados ícones da hipocrisia.
Grandes, belas, vistosas e convidativas, são a grande obra publicitária da propagação da vida, expõe a todos seu sexo, e são admiradas por isso, até mesmo por aqueles que escondem debaixo de suas longas e deselegantes vestes aquilo que deve ser entendido como vergonhoso, apesar de extremamente prazeroso.
Religiosos de todos os tipos se fazem de assexuados por baixo de seus paramentos rituais, mas habitam grandes prédios com vastos jardins, e com árvores extremamente bem cuidadas, que ao florir e frutificar embelezam com seu sexo esteticamente perfeito tais lugares.
Padres e freiras mortificam seus corpos em busca de uma fantasiosa pureza sem sexo ou desejo mergulhados em meio ao sexo ornamental, aram a terra e alimentam-se do fruto desta relação tão perfeita e sem qualquer sentimento de culpa por ser o que se é sem ligar para o que se possa pensar.
Velhas senhoras puritanas enfeitam suas casas com flores, que são nada mais do que grandes e vistosas genitálias, assim como os frutos destas divinas transgressoras que jazem nas fruteiras de suas copas, onde costumam cuidar da vida alheia.
Uma árvore pouco retira de onde quer que esteja plantada, mas muito dá àqueles que dela se valem para suprir suas vidas, a quaresmeira, o ipê roxo, o jacarandá, e muitas outras parecem florir em dor pela morte do cristo no final do verão, mas isto é pura fantasia, sua mais pura verdade é a perpetuação da vida, a exibição sem culpa do sexo .
Perdoai-me Catulo da Paixão Cearense, mas a flor de maracujá não pranteia o cristo, ela simplesmente é a mais linda flor de trepadeira, que por tanto trepar se exibe intumescida e plena exalando o sexo que jamais foi um pecado.
O Abacate e a manga são verdadeiros úteros que levam dentro de si a vida protegida e pronta para brotar no chão aberto e molhado, sua polpa é quase como a carne ao toque das mãos, seu formato quase vaginal parece ser chacota do criador ao deitar-se na fruteira da sala da família conservadora algumas dúzias que se entremeiam por fálicas bananas.
Então visita o vigário a casa da senhora de tradicional e pudica família, sob sua batina negra um corpo de homem não se deixa ver, mas na mesma sala flores de laranjeira, e frutas sobre uma grande fruteira dão testemunho da verdade, e não deixam a hipocrisia vencer, o padre serve-se de uma fálica banana para não tocar a si mesmo e não assumir seu tesão pela ranzinza velhota. Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons.
Sempre me dei muito bem com todas elas, são seres magníficos elas nos dão muita beleza, muita energia e muita vida. Eu sou uma pessoa que gosta de animais, mas muito antes disso sempre adorei árvores, sempre as tive comigo, sempre as terei. Antes de ter um cão tive um abacateiro, plantei o danado no quintal lá de casa, e ele cresceu, cresceu, cresceu, cresceu tanto que um dia quiseram cortá-lo, eu quase matei um nesse dia, mas seu tronco enorme foi cortado. O abacateiro, no entanto, tem raízes que vão fundo e que se espalham, e ainda brotou, e voltou a crescer, crescer, crescer, crescer tanto que parecia que nunca tinha saído dali, acho que eu também sou assim ressurjo de qualquer resto de lembrança, e retomo minha força. Tentaram matá-lo com ácido, secionaram as raízes e a casca do tronco para interromper o fluxo da seiva, mas nada adiantou, ele é duro de matar, e eu também sou. Sempre me vi como uma árvore, sempre me identifiquei com a força e a persistência de vida deste meu amigo que me acompanha desde sempre, e sempre resisti e venci como ele. Árvores são tudo o que há de belo, forte, e benigno na terra, pois dão vida a todos que solicitarem, não negam sua sombra, nem seus frutos a ninguém, e na batalha contra a violência e a morte insistem em brotar e dar seu testemunho de vida perene. Traduzem em vida, a luz, a água e a terra que lhes são oferecidas, e tomam sabores variados, cores e texturas surpreendentes, fabricando para todos os outros seres viventes alimentos, conforto e beleza. Ainda que sejam plantadas para se tornarem lenha, móveis, ou papel, seu legado é sempre o mais benigno, e sua vida a que menos tira e mais oferece a todos. Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons.
Hoje o dia esteve abafado, o mais quente do verão em São Paulo até agora, suor e cansaço tomaram conta de mim, e eu a me cobrar quanto a tudo que tenho que fazer. Contas a pagar, serão pagas, textos a escrever serão terminados, mas hoje isso não irá acontecer, hoje só quero dormir, uma chuva acaba de cair, e o calor vai com certeza aumentar, o dia foi quente, a cidade está quente, a água cai e evapora quase que imediatamente, suor e calor às 23:20 , não parece que já é noite alta, parece que é meio dia. Enquanto escrevo ouço o barulho dos carros nas ruas, o suor escorre e incomoda, , a cama convida, mas ao mesmo tempo assusta pois deitar sobre os lençóis me fará suar mais, preciso de ar condicionado em cãs, mas odeio ar condicionado, já passei mau bocados trabalhando em ambientes com ar condicionado muito forte. Hoje aquele velho mas fiel ventilador será minha salvação, mesmo assim ainda terei sonhos molhado, literalmente alagados, assim como os sonhos de noites de verão costumam ser, que Shakespeare me perdoe o trocadilho infame. O grande Shakespeare, jamais imaginaria que se pode ter temperaturas semelhantes aos 22ºC que estamos tendo hoje nesse horário, próximo à meia noite, um cidadão britânico morreria de calor nessas condições. Estou tentando achar um jeito de terminar um conto e com certeza o terminarei fazendo com que nele a raça humana pereça num planeta que se tornará tórrido e poluído daqui há 50 anos ou menos . A rotina é sempre entediante, e se torna insuportável com a temperatura nesses patamares, eu preferiria um inverno rigoroso, a um verão massacrante, alagando tudo com a chuva lá fora, e o suor nos nossos corpos. Agora o ar condicionado mais perfeito do planeta começou a trabalhar, a chuva despenca sem do , já é um novo dia, talvez seja isso mesmo que eu tenha que fazer, vou esquecer a janela aberta, vou fazer de conta que lá fora ela não irá alagar nada, vou apenas apreciar o frescor dessa brisa que entra, e vou dormir, não mais alagado em suor, mas vou tentar não pensar no alagamento que possa estar acontecendo onde seria natural e bem vindo , desde que ninguém estivesse morando por lá, em poucas horas o sol irá brilhar, e as estações de rádio e televisão irão falar sobre esta noite, mostrarão suas imagens, é só mais um dia quente, e mais uma noite molhada, numa cidade cheia de gente. Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons.
A kind of ever progressing change that will never come to an end, that is what this blog is meant to be, nothing could be less defined than something that never has a final version. Something that could be a living body, which comes closer to death every single minute, but comes back to life as time passes. Authors are welcome to publish their texts, nobody is entirely responsible for his or her words, written or spoken, you won't be prosecuted to no extent of any law. Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons.
Never allow anybody telling you that you can't change your mind, 'cause it is the most sacred of all rights you could fight for. My mind is an ever changing creature that lives inside my body. http://mentalmorphosically.blogspot.com
Parece que foi uma chuva muito forte e muito pesada, daquelas que alagam a cidade, que não tem mais terra para ser molhada, ou saída para a água represada.
Mesmo assim entre mortos e ferido, ficaram apenas alguns egos combalidos, pela torrente de palavras despejada por mais de um mês.
A estação ainda é propícia para chuvas e trovoadas, com potencial para danos aos desavisados de plantão, ou fracos de coração, tragam suas capas guarda-chuvas, galochas e demais equipamentos.
Após duas semanas de intensas ventanias, e outras duas semanas dedicadas exclusivamente aa construção de muros de arrimo, barreiras de contenção, barragens diques, e demais estruturas, todas na cor branca, os habitantes locais mal se atrevem a colocar o pé fora de suas soleiras.
Focos de alagamentos transitáveis já se fazem presente por toda a comunidade, é muito provável que os habitantes da comunidade estejam temendo sobremaneira viver daqui para frente em terrenos alagados por fluxos contínuos de criatividade.
Lembramos ainda que tais condições podem se alterar de acordo com aquilo que venha e se apresentar nas próximas semanas, e que a meteorologia retórica é uma não–ciência nada exata, quaisquer alterações no comportamento de homens–ventos, ou de mulheres-ventanias, assim como a fase da Lua–Moça, serão cruciais na configuração do quadro para as próximas duas semanas. Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons.
Domingo de tarde, um verão muito molhado, um vento daqueles calmos, um vento daqueles gelados, a noite e a manhã foram de chuva, chuva fria e constante, sonhos inundados.
Em uma cidade grande cheia de concreto, toda pavimentada, impermeabilizada, cortada por rios e seus vales, outrora preservados, permeáveis e constantemente alagados.
Não era de se estranhar que na terra da garoa, onde a chuva é benção constante tais coisas acontecessem, o estranho é o que vem depois, muita gente sofrendo por estar onde nada além de terra deveria haver.
Espaços que deveriam periodicamente se manter alagados e bem aproveitados, foram invadidos por pessoas sem destino, e ali ficam ilhados, eles e seus sonhos, entre as margens de rios e córregos, sobrevivem clandestinos.
A cidade cresceu, enriqueceu, inflou, muita gente veio ver e viver, muita gente veio e ficou, alguns ficaram bem instalados, outros sem opção foram empurrados para os vales de seus rios periodicamente alagados.
Um cenário triste, onde muitos além de perder o pouco que tinham, foram segregados, e nas margens dos rios e seus espaços periodicamente alagados, foram impiedosamente afogados.
Sonhos inundados, de habitantes aflitos, numa tarde de domingo fria, depois de noite e manhã de chuva constante, ventos calmos e gelados, de um verão excessivamente molhado.
Ligo a televisão, vejo a tragédia que se deu perto de minha casa, mas que não me atingiu, pois tive a sorte de não ter sido impiedosamente segregado e empurrado pela cidade, para os vales de seus rios, e seus espaços periodicamente alagados.
Nada disso é consolo, nada disso traz alento, os sonhos de uma noite chuvosa de verão, ressurgem na tarde sem sol e fria, tarde de preguiça e de televisão ligada, onde a inundação é exibida como espetáculo da vida de uma cidade de concreto e de asfalto, onde a água pára e condena os alagados à morte certa e lenta. Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons.
Acho que seria muito pedir a um muro branco que fosse além daquilo para que foi criado, mas na verdade o muro não tem como decidir qual será a sua função. Muros são limites, são barreiras, são obstáculos que visam dar proteção, e são também suportes para todo tipo de portão.
Muros também trazem em si algo a dizer, uma mensagem, um alerta, uma notícia, como um jornal, o muro deixa de ser muro apenas suporta a arte, ou informação, um muro tal que se torna mural, muro agora sem portão.
Muro de arrimo, muro barreira de contenção, barragem de represa segura a água evita a enchente desgraça trazida pela água que é quase sempre desejada, só não se deseja inundação.
Muro que nos afasta de contatos de gente, de água, terra, ou outra coisa qualquer que possa em algum momento nos incomodar, barreira que protege de invasão, mas desafia também o menino a pular para pegar fruta no pé, muro da inspiração.
Muro de qualquer cor é muro, mas muro branco é mais que um simples muro é um suporte de idéias, como folha de papel, tela de um pintor, um universo cabe todinho dentro dele, como em um enorme monitor, santa simplicidade, além da tecnologia da informação.
Um muro branco em qualquer lugar do mundo pode suportar tudo o que falei, e cada um que agora lê poderia falar muito mais, sobre este simples muro que nada mais seria do que um mero suporte de portão. Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons.
Por algum tempo fiquei aqui pensando em citar algum poeta, alguém mais apto que eu a falar do tema.
Tentei até buscar auxílio divino como até mesmo Camões um dia fez, ao pedir permissão para terminar sua obra.
Consegui no máximo falar dos dedos-grilhões de uma Deusa local, coincidentemente tão brancos quanto a prisão formal do muro de papel.
Do horizonte infinito dado pela brancura, à evidência da falta de pureza, o branco nos deixa perplexos com sua magia.
Muros maculados pela transgressão do homem deixam o branco até mesmo assustador, nada pode ser mais desconcertante do que a ameaça de revelações bombásticas.
Assustador também é o muro branco que tenta segurar dentro de si a inocência que um dia será perdida, ele porem se mantido branco nos fará crer que ela ainda mora lá.
A aparência inocente talvez seja na verdade a mais perigosa mentira, talvez seja apenas a fina camada de tinta que nela nos faz acreditar.
O branco do muro na verdade não tem o valor que aparenta ter, mas pode ser útil para que com cores menos enganosas, possamos pintar sobre ele um quadro com cores de vida real.
Conheci um homem que acreditava apenas nas cores do jornal, e nas cores pouco reais de suas fotografias em preto e branco, o homem se chocou e morreu sua fantasia.
Morreu a fantasia daquele homem, ao ver as cores da vida estampadas nos jornais que lia, ele acreditava que a realidade era preto e branco, acreditava numa realidade mais disfarçada e menos dolorida, traduzida em preto e cinza, sobre papel jornal branco
Por fim morreu também o homem, alguns anos depois de ver morta diante de si sua tristonha fantasia, depois de tudo sobraram as cores fortes da vida sem inocência, maculando o muro branco. Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons.
Limite e possibilidade infinita são duas coisas que se pode encontrar na brancura de uma folha de papel, é muro e horizonte ao mesmo tempo.
Dentro desta brancura tudo cabe, mas tudo também é limitado por sua extensão. Dizia Salomão: “De se fazer muitos livros não há fim, e muita devoção a eles é fadiga para a carne”. Ainda assim abre-nos as portas da infinitude, mesmo que a limitando a este espaço branco, nosso muro de papel.
Nosso muro se impõe de tal forma que acaba impedindo até as Deusas de expressarem o que sentem, prendendo-lhes nos dedos aquilo que queriam dizer.
Talvez saísse pela boca aquilo que nas mãos da Deusa ficou aprisionado, e mesmo assim sádica e impiedosamente instigado pela presença do muro branco de papel.
Deuses e Deusas existem ou são totalmente aniquilados dentro dos vastos limites quase infinitos de pedaços brancos de um universo.
Até mesmo outros universos cabem dentro deste muro branco, deste infinito espaço para a criação, os dedos da Deusa são a verdadeira prisão, o muro não. Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons.
Fui procurar um pedaço de cidade para poder parar, sem nada para fazer, nada para pensar, ou falar.
Qualquer pedaço me serviria desde que nele eu não pudesse ser incomodado pelo resto dessa cidade, eu queria tentar resumi-la.
Parei nos parques, não tive o sossego que buscava, nas ruas, eu na verdade atrapalhava, nos bairros distantes o povo me estranhava.
Nos prédios mais altos, com vista de lugares que apareciam nos cartões postais, eu não me dava paz, me inquietava.
Por fim, busquei visitar uma velha casa, uma parte da herança de meu avô, casa velha e mofada, com paredes sujas e muito mal cuidada.
Sentei de pernas cruzadas, olhei o mofo da parede de frente, não fechei os olhos, naquela parede tudo o que vi projetei, como se fosse um filme .
As cores, as formas, os lugares, tudo eu joguei sobre aquela parede mofada, tudo se misturou.
Eu imaginei que no final tudo ficaria preto, pois da mistura de tudo nada sobraria, mas na verdade foi ficando preto e depois marrom.
O marrom que na verdade é a síntese da mistura mal feita, da desordem cromática, uma prova do erro, mas ouvia uma voz que já conhecia e que sempre me acompanhava..
A voz era tão suave, era tão bela e tão iluminada que a casa não suportou, as paredes e o teto caíram, mas sobrou aquele meu pedaço, um muro branco e iluminado.
O muro branco que resumia tudo, e que redimia os erros também, era síntese da minha cidade, era paz em meio à multidão, o som da voz amiga e iluminada cantava.
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons.
Foto devidamente roubada da Lua-Moça, a Lua Magra!
Era uma vez Uma moça que estava estudando para ser feiticeira, ela já havia tentado ser uma fada, mas não conseguiu ser tão certinha assim.
Ela estudava com magos e dava aulas para crianças, gostava muito de artes, e de ensinar o que aprendia.
Passava seus dias numa sala que tinha um quadro chamado negro, ainda que fosse verde, e às vezes também estudava com magos que escreviam em quadros brancos, eram vários quadros e várias cores, além de vários nomes.
Às vezes gostava de passear na praia e sentar-se sobre um pequeno muro, fica ali contemplando o luar que despencava da lua branca sobre o mar e sobre a areia, em contraste com a escuridão noturna.
À noite ainda que evocasse as piores maldades das mais profundas trevas, era pintada de branco pela luz que despencava da lua sobre o mar.
A moça se sentia muito bem ao contemplar a noite nada sombria, e se juntava de seu baixo muro com a luz da lua, cheia de luz e de paz.
A lua cheia e a moça magra juntas se mostravam como uma única Lua-moça, ou Moça-Lua, cheia e magra ao mesmo tempo, nascia a Lua Magra. Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons.
Esta história é escrita de uma forma que possa ser lida por qualquer um, mas muitas vezes as melhores histórias não aparecem neste formato, não aparecem como letras pretas sobre papel branco.
Vou contar a história de um homem, um simples pintor de paredes e de muros, todos pintados do mais puro branco, e sobre estas paredes e muros ele também escrevia histórias sobre homens e mulheres, todos seus personagens eram incrivelmente poderosos.
Albino Caiado nasceu em uma pequena cidade do interior, e como seu pai aprendeu o ofício de pintor desde tenra idade, tornou-se um mestre da pintura, e das letras também, mas de uma forma um tanto incomum.
Albino pintava tudo de branco, mas o fazia com indiscutível perfeição e, ao mesmo tempo em que pintava também deixava nas paredes por onde passava a história daqueles que um dia lhe seriam extremamente úteis, pintava tão bem com tinta branca que fora convidado para dar manutenção permanente à prefeitura da cidade onde nascera, era uma casa branca, e assim deveria ficar, igual à famosa sede do governo do país mais poderoso do planeta.
O nosso amigo pintava com gosto e com arte, o prefeito tornara-se seu confidente, e ao mesmo tempo sua primeira vítima, as confidências do nobre alcaide passaram a integrar a fachada da prefeitura, uma desgraça que não estava no orçamento do município, mas que lhe renderia seu primeiro milhão.
Começava nesse instante a carreira de um artista que seria muito bem pago para que sua obra não fosse notada ele teria, no entanto, que enfrentar alguns questionamentos para provar que não estava blefando, mas isso seria fácil de se fazer, bastaria deixar seus muros e paredes sem a devida manutenção por um tempo, isso era sem dúvida alguma a prova mais tangível de seu grande poder.
Albino conseguiu com isso uma rede de contatos muito poderosa, que o levou a uma posição invejada por qualquer vivente, foi contratado para pintar as paredes dos palácios do planalto central, e as cúpulas das casas do congresso nacional.
Dia após dia sua rede o alimentava com histórias cada vez mais interessantes, e todas elas passaram a integrar sua gigantesca e discreta obra, cada um deles trazia histórias sobre seus principais desafetos, e com isso cuidava de não ter as histórias sobre si reveladas, mas sim cobertas pelo mais puro e imaculado branco de Albino Caiado. Isso se tornou ponto de honra para deputados e senadores, ministros, generais e até para o Presidente da República.
Albino é um homem hábil e discreto, trabalha sempre com seu uniforme azul cobalto, e emprega muitos auxiliares para manter sua imaculada obra intacta, tem até mesmo verba do orçamento da união para mantê-la assim, cada gota de tinta é valiosíssima, e nenhuma delas nunca esta sobre a sua roupa, ou sobre a roupa de qualquer de seus ajudantes, são todos treinados por ele, e dominam seus segredos.
Nosso grande, porém discretíssimo artista tem atualmente feito das suas no exterior, ele foi contratado para manter impecavelmente brancos alguns prédios no país mais poderoso do mundo, um deles é o congresso nacional, e o outro é a tal da casa branca da qual falamos no início, por lá tem pintado muitas histórias, e muitas delas são muito interessantes, mas nenhuma será lida por nenhum de nós.
Albino é sem dúvida um artista ímpar, sua obra é vista por muitos, e não é compreendida por quase ninguém, apenas os eleitos têm a chance de chegar a tal compreensão, e chegam lá logo que tomam posse de seus cargos.
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons.
Um muro enorme e branco dava a volta em todo o terreno, um enorme terreno cheio de árvores.
Alto e inabalável muro, impecavelmente branco ao redor de uma terra cheia de outras cores, de vida e de morte.
Parecia não ter fim o enorme muro, era, no entanto interrompido por um pesado portão de ferro fundido e batido, um bonito portão.
Dentro do terreno, do outro lado do muro, parecia haver um jardim, um belo e extenso jardim, muitas plantas quase nenhuma construção.
Pessoas entravam e saiam deste terreno, animais invadiam por sobre o alto e branco muro, gatos, sagüis, e pássaros, além de alguns roedores.
O Muro era mantido branco e imaculado às custas de muito suor e muita tinta, o terreno parecia ser também muito bem cuidado, olhando-se pelo portão, mas era enorme, muito pouco se via, apenas uma pequena porção.
Havia sinais de muita vida, havia traços de morte e de putrefação, havia de tudo um pouco por trás do muro branco e do seu pesado e negro portão.
Nada pode ser mais enigmático que a neutralidade do branco, e que a grande muralha colocada ao redor daquele terreno.
Não havia sinais de crença religiosa, não parecia um cemitério, era um enorme e lindo jardim, não havia qualquer construção como túmulos.
Tirando-se o mau gosto da arte tumular cemitérios são lindo jardins, era uma possibilidade, uma possibilidade nada remota.
As pessoas entravam ali em grandes grupos e saiam, mas nada de anormal parecia haver, nenhuma grande tristeza se abatia sobre elas, parecia um parque público, eu nunca tentei entrar lá.
Os funcionários que pintavam incansavelmente de branco, o alto e extenso muro trabalhavam com vigor, não se abatiam por nada, dia após dia estavam lá cobrindo de branco a enorme muralha, ânimo não lhes faltava.
Construir um muro é algo muito útil e eficaz quando se quer isolamento, mas a hipocrisia nos faz disfarçar na hora que resolvemos pintar o mesmo.
Isolamo-nos de modo mais eficaz à medida que aumentamos e reforçamos o muro, isso sempre se dá em um cenário conturbado, onde não desejamos ser incomodados por aquilo que vamos deixar do lado de fora.
As cores do isolamento são quase sempre escuras e difusas, preto, marrom, e tons de cinza, mas tentamos sempre suavizar, e ao mesmo tempo passar tão desapercebido quanto for possível.
O branco é com certeza uma escolha muito eficaz, não agride, não chama a atenção de ninguém, mas acaba sujando facilmente.
Com o passar do tempo as cores do isolamento vão conseguir se grudar no lado de fora do muro, e mais um tempo passará até que por fim invada o limite imposto por ele, é pura hipocrisia fazer um muro branco.
Faça seu muro, mas não tente se enganar ao pintá-lo de branco, deixe-o com as cores da tristeza, e conviva com ela, mas não faça um muro muito alto, e deixe uma porta para que você possa sair.
Muros muito baixos não tem nenhuma serventia, os altos demais também não servem para nada além de nos aprisionar, cada um tem lá o muro que julga ser necessário, mas não há como mantê-lo, branco, puro, imaculado, e igualmente hipócrita por muito tempo, a sujeira vem inexoravelmente macular toda a brancura.
Suje seu muro com arte, faça GRAFITTI! Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons.
Não dá para ser muita coisa além de um vento ordinário se não nos encontramos com uma ventania que nos abrace e nos dê força.
Aquela que em sua divina perfeição denuncia o quão simples e ordinários somos, a perfeição que se fez mulher, e nos fez gozar o maior dos prazeres.
De nada vale ser assim tão comum, e ainda tentar provar que somos diferentes, se ela não se importar com isso, ou não sentir aquele ciúme doentio que nos faz tão bem.
Ciúme é por vezes chato, mas nos dá também a idéia do valor que temos para quem o sente, é diferente da inveja, pois esta vem de quem não participa da tua vida.
A inveja é daqueles que passam ao largo e testemunham a tua felicidade, o ciúme é natural de quem está na tempestade da vida e compartilha a mesma realidade.
Uma ventania ciumenta deixa sempre um vento ordinário todo prosa, todo cheio de si, sentindo-se tão bom quanto a enciumada ventania.
Tenho me sentido um vento menos ordinário que de costume, mesmo porque tenho ao meu lado uma ventania zelosa de muito ciúme.
Só uma coisa sinto ser indispensável para viver, é a companhia da minha ventania, da tempestade, e da sua graça divina.
Passo por muitos lugares vejo muita coisa, falo com muitas pessoas, e a cada dia que passa me dou conta da preciosidade dessa tempestade particular, que me dá vida.
Ela vai estar sempre presente em cada beleza que eu contemplar, em todos os lugares vai estar presente, mais importante que qualquer pessoa na minha vida, Deusa Eterna, eternamente viva! Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons.
Ainda há muito que falar, muito que aprender, e muito que cuidar, e ela estará sempre lá no meio da ventania.
A ventania que se sente no rosto, e que apesar de não trazer a tristeza, traz a lágrima como preço a se pagar por esta sensação, isso fica mais nítido ao olhar da praia para o mar aberto.
No mar se sente seu poder, pois ela faz o barco navegar a todo pano, a alta velocidade,veloz porém indefeso, livre, mas cheio de temor ao mesmo tempo,ventania antagônica.
Nunca houve nada tão concreto e tão impossível de se definir ao mesmo tempo Deusa fêmea, conhecedor do mais íntimo ser de qualquer um, nem Deus escapa do teu abraço.
Deitaste no teu leito com o Criador, e deste à luz o próprio “Inventor”, quem poderá te deter?
Se o homem é vento, a mulher é ventania, é tudo aquilo que o homem quer e precisa para viver em pleno, nada pode completá-lo fora de ti.
Com certeza mesmo descansada, não deixa de ser ventania, mesmo na tranqüilidade não serás nunca a pasmaceira da calmaria.
Ainda hás de causar inquietação ao homem vento no teu caminho, e desejo de estar sempre contigo.
Ainda que pareça morta , a ventania, subsiste plenamente a sua essência no vento, e ressurge com o aumento da graça e da velocidade, do ganho de prazer e de qualidade.
Não basta ao homem ser vento, sua melhor parte é a mulher ventania, Ela cria e re-cria a vida a todo tempo, a toda hora.
Deitou Deus no leito da Ventania e foi criado por Ela, isso aconteceu na eternidade, e ainda há de acontecer eternamente. Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons.
Passar o tempo nas asas das ventanias é deixar que a vida ganhe em cor e em sabor, pois elas são puro ar em intenso movimento.
Não se vive sem ar, e vida sem movimento não tem muita graça, essa graça aumenta na mesma proporção que ganha intensidade esse movimento de vida.
Das fadas verdes, das bruxas, e de outros serem míticos, e místicos eu já falei, falei também as mães, das filhas, das professoras, das companheiras, e das amantes, todas elas lindas, todas cheias de poder e de graça.
As santas, e as diabas também já foram mencionadas por mim, assim como as pintoras e escultoras, sábias e doutoras, falei de quase todas que são dotadas de um ânimo sem fim, a lua o vento solar e o mar também entram nessas linhas, mas esqueci de uma coisa.
Esqueci de dizer que são todas elas por mais divinas que sejam, por mais mães do próprio Deus Criador que possam parecer, são humanas e que também se cansam.
Cansam muitas vezes de ser tudo para todos nós, indispensáveis, e imprescindíveis, cansam e precisam de algum lugar para se encostar, para serem mimadas, massageadas, e simplesmente amadas por serem o que são, ventanias são ar em intenso movimento, mas às vezes gostam de parar.
Chegam em casa depois de tanto trabalhar, e dar tanta cor e sabor às nossas vidas, e só querem tirar os sapatos, e descansar seus lindos pés, cansados de tanto andar, e necessitados de uma relaxante massagem.
Muitas delas não consegui retratar, mas isso já era de se esperar, são tantas, tão lindas, e tão diferentes que é impossível a um simples homem falar de todas, mas é ao mesmo tempo muito agradável falar de tantas quantas se consiga.
Mais uma vez corre como o vento o cavalo árabe puro sangue, e se orgulha de seu nome tão viril, seu nome também é “Ventania”, não poderia ser mais completo o sentimento de alegria, recebeu o homem vento o nome da mulher.
Fez-se noite e manhã, e descansou a Deusa ao chegar em casa e tirar seus sapatos, o décimo quarto dia. Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons.
Talvez dê para tentar, mas não deve dar muito certo, mesmo porque a ventania é tremendamente mutável, é uma mutante por excelência, mas mesmo assim vou tentar.
Um poder tão grande se assemelha muito ao próprio Deus, ou à Deusa como preferem as bruxas.
Bruxas conheço muitas, e todas muito diferentes, sábias mas, totalmente diferentes umas das outras, criaturas muito interessantes, e quase iguais ao criador, ou criadora.
Negam a existência de Deus, mas não deixam de acreditar em algo que escape totalmente à compreensão pela lógica, são místicas, assim resolvem se chamar.
Duas ventanias com o nome “Mística” tenho nas minhas relações, são bruxas poderosas, às vezes até malvadas, mas é uma maldade do bem, não é destrutiva.
Ventanias são assim mesmo, malvadas e bondosas, doces e amargas, mansas e furiosas, mas são imprescindíveis, não se vive sem elas, muitas vezes nos corrigem e nos ajudam a ser melhores do que já fomos.
São a negação de Deus, e a mãe do mesmo Deus negado por elas, são sua mulher, companheira, professora, amante, cozinheira e rainha, sem elas nada se faz.
Nada do que foi feito se fez sem a fêmea ventania, e nada se fará sem lhe dar o devido crédito, nem que seja o do cartão, e este é o acessório mais importante que podem utilizar.
Se você quer uma prova do que eu digo sobre as mulheres, dê-lhes um cartão de crédito e você verá como a ventania leva tudo o que encontra nas prateleiras das lojas.
Sérias e divertidas, bom e mau exemplo ao mesmo tempo, modelam tudo segundo a sua vontade, ou segundo as últimas tendências da estação na Europa, e fazem isso de modo delicioso.
Uma ventania é assim mesmo, impiedosa e cativante, nos faz de bobos por mero capricho, e adoramos que façam assim, eu pelo menos adoro e peço bis.
Ventanias devem exigir dedicação exclusiva, pois sabem que não será imortal, posto que é chama, mas será infinito enquanto durar.
Na hora de pedir bis é só voltar arrependido e deixar ela xingar por aproximadamente seis horas, ela vai adorar te perdoar para fazer mais das suas deliciosas maldades por um bom tempo. Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons.
Talvez fosse melhor chamá-las de guloseimas de ventania, são impressionantes, mas não as julgue pela aparência.
A melhor medida a se adotar, é a de se deixar levar por elas, são aquelas que assustam logo que são percebidas, pois parecem ser muito fortes e muito frias.
Mulheres de pele clara, cabelos reluzentes, roupas extravagantes, e vozes marcantes, mas isso tudo acaba se revelando nada perigoso.
Suas botas negras e seus chicotes são de bala de alcaçuz, e o que parece ser sangue vertido de sus presas é calda de framboesa.
Esta ventania te carrega no doce sabor de anis, ou no amargo do absinto, para a terra da fada verde, pode te levar à loucura, muito cuidado.
Não há por que temer pelo teu corpo, nem por uma provável dor, tema sim pela tua alma que pode ser escravizada pelo prazer desta companhia, inteligente, e divertida.
É realmente tão forte quanto aparenta ser, mas sua força não destrói, ela te carrega no colo, te faz gozar, e rir, te faz ver que mesmo o mais terrível pesadelo pode ser divertido.
Ela domina sempre a cena, não exerce papel secundário, é sempre a rainha, digna de toda honra, e toda pompa e circunstância, Senhora Dominadora.
Não há diferença se é doce ou amargo na boca, mesmo porque é sempre excelente na mente o efeito de sua passagem, de cada momento sempre se tem o melhor resultado com ela.
Algumas mulheres são assim, poderosas, fortes, inteligentes, divertidas, e aprazíveis companhias para qualquer ocasião, eu, porém tenho uma morando comigo, mas conheço outras, e reconheço tais traços nelas.
Quase todas as ventanias são fortes e poderosas, mas poucas são assim tão divertidas inteligentes e amáveis, deve ser culpa da fada verde. Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons.
Parei para pensar, em muitas ventanias que encontrei por aí, algumas marcaram muito por sua força, outras pela velocidade, e todas pelo império de suas soberanas vontades.
Muitas nem se parecem tanto assim com o vento forte e impetuoso, chegam sempre de mansinho, mais parecem uma brisa numa noite de verão ao luar, um luar de lua magra, porque lua cheia lhes sugere obesidade.
Não sou tão maluco assim a ponto de provocar a ira da ventania dessa mulher de lua, mesmo porque ela está super enxuta, e vai se casar.
Mulher de lua ou ventania de sagacidade, uma loucura à parte é conversar com ela, é como correr para sentir no rosto a ventania, e lacrimejar de alegria é também correr o risco de cair e se machucar, aí está a graça da vida ao lado da ventania.
Sempre fui assim desde pequeno, nunca anda, sempre corria, e ainda corro até hoje. Sempre fui assim com minha bicicleta, corria o risco de cair e me machucar, mas sem isso não via a menor graça.
A graça esta na bela moça que te dá à vontade de correr, sentir lacrimejar os olhos, e provavelmente cair, se cortar, machucar, sangrar.
O ardor do corte na carne como o penetrar da lâmina de uma navalha, faz com que me sinta vivo, vivo à mercê dessa moça tão bela e tão cruel, aquela que traz consigo a mão macia e a navalha de frio aço.
Algumas ventanias ainda estão soltas por aí, por aqui já falei de uma três, a da lua, a de lua, e aquela que afaga e fere com a mesma beleza e a mesma paixão de viver, outras virão.
Que venham todas as ventanias, todas elas me fazem viver, todas elas são um desafio, um enorme prazer de poder falar de cada uma delas me enche de gozo, e preenche meus dias. Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons.
A ventania é o resumo do pleno movimento, a síntese da inquietação, na sua presença nada fica estático, ou inabalado.
Abalados e embalados por sua presença rítmica e musical, musica dos ventos, bailarina veloz e graciosa, vento de fogo, labareda solar.
Há quem chame a labareda que se desprende do sol de vento solar, um arroubo de poder tão grande e tão irresistível que só poderia assim mesmo ser chamado, uma ventania cósmica.
Conheço uma outra mulher ventania, que qual “O Pássaro De Fogo” de Stravinsky me encanta sobremaneira, é uma ventania bailarina.
Maldita seja a minha doce e saudosa infância ao som da suíte composta por Stravinsky, que sempre me encantou, malditos eruditos modernos, que tão bela música resolveram cultuar.
Bendita seja a ventania bailarina, caprichosa e mimada diva, que baila e revolve o ar, que enche nossos pulmões de vida , e que nos faz respirar.
A mulher ventania é como uma gata feroz, mais bela fica à medida que mais feroz se torna, sempre me encantei com as duas, e sempre admirei “O Pássaro De Fogo”, memórias que hoje fazem de mim uma pessoa feliz.
Ainda que sob a maldição por mim mesmo rogada sobre uma herança que me faz hoje escrever sobre tudo o que amo, mulheres, ventanias, música, e gatas ferozes, que esculpiram na minha carne o meu eu.
Passa como ventania a bailarina e com seus pés vai pisando a todos em seu caminho, e deixando seu rastro de beleza, e as marcas de suas pegadas pelo chão.
Passa uma ventania bailarina , como vento solar, chama que se desprende do sol e se precipita no mar, qual estrela, uma estrela do meu mar. Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons.
Nada é tão livre quanto ela, corre o mundo, e no mar do barco sopra a vela. Desejada por muitos, temida por estes mesmos, pode ser sorte, ou levar à morte certa.
Da pipa da criança é motor e inimiga, faz voar, mas faz também quebrar a linha, e leva para longe o brinquedo, deixa a chorar o menino.
Seca a roupa no varal, varre a sujeira do quintal, arranca os lençóis da corda e joga onde quer.
Joga a poeira sobre o linho branco, suja a alva roupa de linho, desarruma o cabelo de qualquer mulher, é livre ao extremo, não há quem a ponha a termo.
Nem o mar pode com ela, do sul sopra a ventania levando o barco ao norte, e se desejar encrespar o mar lhe põe fim à sorte, e este só pode obedece-la
De seu leito o mar não sairá, ficará revolto se ela, a ventania assim desejar, o poderoso mar simplesmente há de se calar.
Não é à toa que é fêmea caprichosa, unidade básica para que haja vida, pintora de tintas desgastadas, escultora de mãos delicadas, dá forma e cor a tudo.
A ventania, milimétricamente esculpe a rocha, e faz corar a face de quem a ela se expõe, varre o terreiro, e arranca folhas e galhos.
Após passar nos deixa sua obra, grande arte, grande legado, roupas enroscadas em algum canto, folhas no telhado ou no chão, sapatos, brinquedos, sacos plásticos, e até gatos, e cães minuciosamente arranjados , com arte e imaginação.
Somente a mulher é assim tão poderosa, e criativa, tão bela, e tão cruel, a arte e a liberdade lhe caem muitíssimo bem. Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons.
É incrível como uma palavra pode mexer comigo, um sentimento pode aflorar de uma simples e corriqueira palavra, um nome para um fenômeno natural.
É um nome que traz consigo a idéia de alguém que transforma tudo por onde passa, não deixando nada no lugar onde se encontrava.
Muitos gostam de organização rotina e quietude, eu não. Gosto dessa moça que chega para jogar tudo por terra, ao rés do chão.
Um misto de força e delicadeza, toque de veludo, e força de firme mão. Mulher vento forte, Ventania, sem sombra, que provoca toda sorte de variação.
Este simples escrevedor de textos se encanta sempre com a natureza, já foi o frio, o tempo o calor, quase um meteorologista amador.
Escrevendo sobre a Ventania, até exagerou, re-escreveu uma reza em adoração, quanta pretensão.
Fosse o mar não teria tanto encanto, nem a terra faria emergir tamanha emoção, somente a força feminina é apta a tanto.
Mulheres lindas, delicadas e fortes sempre mexem comigo, não me deixa sossegar em quietude a Ventania, é mais forte, é minha doce sorte.
Não fui feito para a quietude e para o sossego, me desassossego com prazer de ser levado por ela , de ser carregado, e exaurido . Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons.
Se o vento forte é a Ventania, assim também o humano forte não é o homem, e sim a mulher. Nossa força de nada vale se não tiver uma origem que lhe dê respaldo, e autoridade.
Tarefa para físicos é a mensuração da força física, tarefa para todos é reconhecimento da força de uma mulher.
Mãe amiga, guerreira, professora, amante, musa, bruxa, cozinheira, e muito mais, de tudo se tem nela o lado forte e belo.
Nela tudo se traduz em forte luz, em vida e em graça, origem de todos nós, e até mesmo do criador.
Uma criação tão perfeita, que fez com que o próprio Deus arrumasse uma para si mesmo, e lhe deu um nome que é sinonimo de simplicidade e de plenitude.
Providenciou para si o Pai de tudo, uma Maria que lhe fosse mulher, mãe, companheira, guerreira, professora, musa, bruxa, cozinheira, e muito mais.
Retratou isso na Ventania, na força feminina que tudo dobra, e que tudo faz ceder, com tanta força e tanta personalidade.
Ave Ventania, cheia de graça!
O Senhor te desejou, és muito amada!
Bendita sois vós, visível em todas as mulheres!
Benditos somos nós, filhos do teu ventre!
Santa Ventania, és mãe até de Deus, rogai por nós, teus adoradores!
Parece que exagero hoje, mas nenhum exagero é suficiente para definir , a intangível , porém tão forte ventania, irredarguível eternamente.
Uma santa e uma bruxa ao mesmo tempo, temida e desejada nessas duas formas com a mesma intensidade.
De nada vale ser filho de qualquer que seja a santa, é melhor ser filho da outra, desde que esta seja a outra certa, aquela que tudo é para todos.
A outra que apesar de sutíl é forte, é mãe e amante, é luz e escuridão, não se cala, nem tampouco fala, apenas é tudo para todos. Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons.